Coisas que você ouve em Ipanema
Dia desses atravessa a Praça General Osório para ir ao trabalho, em Ipanema. Alguns metros a minha frente, estava uma mulata voluptuosa, uma verdadeira Raimunda. Devia estar usando roupas emprestadas de sua filha ou suas de outra época, pois o manequim estava números abaixo do ideal. Passamos por dois garis que limpavam a sujeirada deixada pela “tão sonhada” obra da nova estação do Metrô.
Quando nossa amiga Raimunda passou pela dupla, a limpeza foi instantaneamente cessada e teve início um “diálogo” mais ou menos como transcrito abaixo:
(Enquanto a mulata passava pelos dois)
[Gari 1] – Nuooossaaaaa! Quê êsso, filé?
[Gari 2] – Ô, neném! Largava tudo pra ficá cuntigu!
(Após a mulata já ter se distanciado)
[Gari 1] – Carai, leque! Que pressão no popô!
[Gari 2] – Pô! Destruia ela todinha!
[Gari 1] – Ah, fácil, fácil! Partia ao meio!
[Gari 2] – Créu! Créu! Créu! Créu!
Cavalheirismo e romantismo não estão fora de moda. Só foram adaptados para a cultura atual.