Acabei de chegar de uma prévia de comemoração do aniversário de um amigo. O local escolhido foi o Bigode, bar ao lado do shopping Rio Sul, em Botafogo. Cerveja gelada. Aipim frito oleosamente suculento. Deliciosos pastéis deformados de sabores genéricos e cheiros idem. Gurjão de peixe, sendo alguns avermelhados. Acreditamos até a última mordida ser salmão. Bolinho de bacalhau frito no óleo frango à passarinho. Talvez óleo diesel, não sei. Resumindo: uma noite perfeita.
Até que atiraram um caqui. Um caqui. Sim, repito: um caqui. De novo? Caqui. A mistura de Antartica, Bohemia e Skol transformaram a cena em uma comédia pastelão. Nos 10 minutos seguintes, com a explosão da fruta na mesa, foi possível apenas uma coisa: rir. Ninguém conseguiu ficar apreensivo pensando qual seria a próxima fruta ou próximo objeto. Pensamos em ligar para a polícia. Interfonar para o prédio. Mas era um caqui. Por que um caqui? As pessoas mal compram caqui para comer, que dirá atentar contra a vida alheia!
Somando as experiências individuais com o tipo de situação, já havíamos visto todos os tipos de ataque: garrafas pet, côcos, balões d’água, sacos plásticos cheios de mijo, gatos, estagiários, sogras, cunhados, camisas do Fluminense encardidas, Bíblias, Dip n’ Lik chupados, Fandangos fora da validade, calendário da Pamela Anderson, papel higiênico molhado, tomates, cueca com freada, preservativos com gosminha recheados, ovos podres, ovos cozidos, ovos fritos, ovos mexidos, ovos simplesmente, Playmobil, lembranças da circuncisão, fronhas babadas, rabanadas, Serenata de Amor mordido, tampinha de Mineirinho, fraldas sujas (infantis e geriátricas), perucas Lady, pedaços de unha roída, pentelhos pêlos pubianos presos com fita adesiva… Enfim, apesar de toda a gama exótica e eclética de ataques presenciados, o caqui era novidade para todos os presentes.
O pato-ganso-marreco do jardim do Bigode não sabia se ria ou se escondia mais pela mata, temendo por sua integridade física. Mas ele também caiu na real. Um caqui. Estava sendo ameaçado por caquis. Um dos integrantes da comemoração do anversário, um exótico cidadão italvense, jura ter sido atingido também por um limão. Mas como já estava bebendo desde cedo – inclusive no trabalho – perdeu um pouco de crédito. Terroristas de caqui são raros. De limão então, nem se fala!
Tentei rapidamente localizar o terrorista caquizeiro. Utilizando meu fenomenal celular Nokia E63 (aconselho, bom produto… só a câmera que é uma merda joça!), consegui bater uma foto do maldito. Enviarei ao Globo Online para tornar público o perigo que ronda os bebuns clientes do bar Bigode. Armazenada a foto como prova, abandonamos a mesa e escolhemos ficar confortavelmente de pé, recostados no murinho. Voltamos a sentar quando vagou uma mesa, protegida de selvagens ataques frutíferos pela estratégica marquise do bar.
Como não aconteceram mais ataques, não ligamos para a eficiente e sempre alerta polícia fluminense. Mas deixo aqui o alerta: cuidado com este morador do prédio em cima do Bigode. Ele é suspeito de diversos ataques violentos aos frequentadores do térreo.
A noite ainda fechou com chave de ouro com as lamúrias do taxista que não aguenta mais a esposa sem a ajuda de um Viagra 50mg… Mas isso eu deixo pra outro tópico. Hora de tomar banho, limpar a sujeira de caqui e dormir.
Cotidiano