Precisei de 5 dias para conseguir ler a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos concedida à revista Veja, juntamente com a reportagem da edição seguinte esculhambando o PMDB. Este é o problema de não ficar muito tempo dentro da “condução” para chegar ao trabalho. Enfim, me pergunto o que motivou o senador a jogar tanto excremento no ventilador. A primeira coisa que me ocorreu foi que o fundador do antigo MDB foi deixado de fora de alguma bocada. Mas deixando de lado o descrédito que deposito em todo e qualquer político, forço-me a crer que o senhor Jarbas possui honestidade no coração e estava entalado com a profanação da ideologia (?) que ajudou a construir. Analisando por este ângulo, o senador passa a ser meu herói. Chega a ter uma aura divina.
Por mais que os motivos reais possam não ser o desconforto com a situação atual ou a fome por justiça, essa chacoalhada no partido só confirmou o que todos já sabem: o PMDB transpira corrupção. Não mede esforços para conseguir o que almeja. Procura criar uma coleção de cargos estratégicos em áreas com verbas orçamentárias bilionárias para transitar com pompa e passe livre pelos esgotos da política brasileira. Com estes cargos em mãos, o poder de negociação nas entranhas dos órgãos públicos aumenta. Mais poder de negociação, mais dinheiro em caixa. Mais dinheiro em caixa, mais poder de negociação.
Como o próprio senador Jarbas Vasconcelos afirma, o PMDB desistiu de ganhar eleições para participar de negociatas de cargos e gabinetes. É um parasita da política. Um parasita mamífero. Não se cansa de mamar nas formosas tetas do Brasil e aproveita para deteriorar o que está à sua volta. Enquanto as tetas brasileiras não minguarem caídas e estriadas, haverá boquinhas nervosas peemedebistas sugando dinheiro público suado de forma feroz.
Falando um pouco mais sobre a entrevista, alguns trechos são muito interessantes:
“Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão (…)”
“(…) Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador”
“Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido” – sobre o também senador Renan Calheiros.
“Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte.”
“A corrupção está impregnada em todos os partidos.”
“Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.”
“Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética.”
“O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só.”
“Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.” – sobre a mediocridade do governo atual.
“O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.”
“Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.”
“A classe política hoje é totalmente medíocre.”
“O pensamento típico do servidor desonesto é: ‘Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?’.”
“A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado.”
E o que o PMDB fez com as declarações do senador? Nada. Uns o chamaram de maluco, outros ficaram em cima do muro e alguns demonstraram apóio com um sorriso amarelo estampado na cara. A verdade é que a maioria arrancou os pêlos pubianos a dentadas. Mas a carapuça serviu para a maior parte dos integrantes do partido.
O único ponto negativo disto tudo é que o ocorrido foi às margens do carnaval. O período mágico brasileiro onde os problemas deixam de existir. Tudo é lindo e colorido. Nada atrapalha a felicidade dos foliões nestes poucos dias de festa. Diferentemente dos foliões peemedebistas, que trabalham (hein?) ao longo do ano embalados ao som de “Mamãe eu quero“.
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