A difícil tarefa de ser um cidadão comum – parte 1
7 dias. É o tempo que falta para uma batalha no melhor estilo Davi e Golias. A diferença é que o Davi de nossa história é ainda mais mirrado que o original, enquanto Golias, é absurdamente mais forte. Estamos falando da briga de um cidadão comum contra uma das maiores e imponentes instituições financeiras do mundo: o Citibank. Ok, não é mais tão imponente assim. E já está deixando o clube das maiores. Está bem capenga para dizer a verdade. Mas ainda assim, é um Golias para nosso Davi.
A briga acontecerá no próximo dia 19 de março, quinta-feira da próxima semana. O palco será o Cartório do 4º Juizado Especial Cível, no Catete e, como acontecia no Velho Oeste, ao meio-dia. Sim, eu sei. O Velho Oeste nada tinha a ver com o cenário que comecei a montar com Davi e Golias. Mas não sei que horas foi o confronto dos dois e sempre quis usar “Velho Oeste” em algum texto. Continuemos.
Tudo começou em 1999. Recebi um cartão de crédito Mastercard pela Credicard. Isto foi um brinde, ganho por ter feito uma assinatura da revista IstoÉ. Alguns anos depois, em 2004, recebia a revista, mas não tinha mais tempo para sua leitura. Solicitei o cancelamento. E o parto de bode teve início…
As sempre “simpáticas” e “bem-humoradas” atendentes da Editora Três, responsável pela publicação da revista, alegavam que como estávamos no início do ano não podiam realizar o cancelamento. Eu deveria esperar a chegada do mês de outubro, que seria a ocasião correta para avisar que não gostaria mais de receber a revista. Cheguei a receber a desculpa que “nem o sistema aceita que eu faça isso agora, senhor”. Ah, se eu descubro a consultoria que fez esse sistema deles… Enfim, compreensivo que sou, esperei outubro chegar. E ele chegou.
Quando aquele maldito mês era a folhinha atual do calendário, retornei a ligação para solicitar o cancelamento à Editora Três. Obviamente, sem sucesso. Por meia dúzia de vezes, me disseram que a assinatura estava cancelada. Mas continuei recebendo a revista e pagando por ela. Voltei a reclamar. Continuei pagando pela revista mas agora sem recebê-la. Considerei um progresso. Só precisava agora não ter mais que pagar. Parto de paquiderme. Com gravidez de risco.
A Credicard afirmava que não havia recebido nenhuma ordem de cancelamento da Editora Três. Esta, por sua vez, informava que não havia recebido nenhuma solicitação de cancelamento da minha parte. E eu passei a pagar por um produto que não mais chegava em minhas mãos. Lindo. Retrata o funcionamento de muitas coisas daqui do Brasil.
Passei um tempo pagando a fatura sem o valor referente a assinatura da revista. Em paralelo, tentava realizar o cancelamento. Sempre em vão. Foi quando tive uma visionária idéia: cancelar o cartão. Sem cartão, a Editora Três não pode me cobrar nada. Sensacional! Confesso que me senti um gênio enquanto orgasmava com a idéia que tive. Liguei para realizar o cancelamento do cartão… Resumidamente, foi mais ou menos assim:
[Picciani] – Gostaria de cancelar meu cartão.
[Atendente] – Senhor, seu cartão não pode ser cancelado sem a quitação dos valores em aberto.
[Picciani] – Ok. Peço que separe o que for da Editora Três. Pagarei a diferença do total com este valor.
[Atendente] – Senhor, a quitação deve ser total.
[Picciani] – Os gastos com a Editora Três eu não reconheço como meus. Já solicitei o cancelamento do serviço e continuo sendo cobrado. E sem receber.
[Atendente] – Senhor, entendo, mas a quitação deve ser total.
[Picciani] – Se você entendesse, não repetiria a mesma coisa.
[Atendente] – Senhor, para prosseguirmos com o cancelamento, precisamos quitar todos os valores em aberto.
[Picciani] – Caso eu não pague minha fatura nunca mais, vocês vão cancelar meu cartão?
[Atendente] – Senhor, há um período máximo em que a fatura pode ficar em aberto. Os serviços podem ser cortados em caso de falta de pagamento. E, dependendo do período em aberto, o cartão pode ser cancelado.
[Picciani] – Ótimo. Não pagarei. Assim vocês cancelam.
[Atendente] – Senhor, também pode ocorrer a inclusão de seu nome em serviços de proteção ao crédito.
E o imbecil aqui respondeu:
[Picciani] – Ah, é? Inclua! Pode incluir até no meio do seu **! Seu filho da ****! Vai se *****!
[Atendente] – Senhor, peço que se acalme…
[Picciani] – Vai pedir calma pra **** da sua mãe! Aquela ******! *****!!!
Ok… Isso foi somente uma dramatização. O que na verdade foi dito:
[Picciani] – Tudo bem. Depois que resolver toda essa confusão eu tiro meu nome de lá. Obrigado.
[Atendente] – Algo mais em que possa ajudar, senhor?
[Picciani] – Não, obrigado.
[Atendente] – A Credicard agradece sua ligação. Tenha um bom dia.
[Picciani] – Você também.
“Depois que resolver toda essa confusão eu tiro meu nome de lá”. Onde que eu estava com a cabeça?