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A difícil tarefa de ser um cidadão comum – parte 3

16, março, 2009

Continuação do tópico A difícil tarefa de ser um cidadão comum – parte 2

Foi quando em agosto de 2008 a simpática Suzana (nome fictício) entrou em contato. Perguntou como gostaria de pagar o valor de R$ 2.845,26. Expliquei a ela que o valor devido era de R$ 660,00 e não pagaria aquele valor cobrado. Poderia me ligar todos os dias. Não aceitaria nunca aquele valor. Até que em outra ocasião ela ofereceu um valor um pouco mais abaixo. Não me recordo exatamente qual, mas ainda não era o ideal; o justo. Para acabar com aquelas negociatas, abri meu coração para Suzana:

- Se você gerar um boleto de R$ 700,00, pagarei à vista.

E a adorável Suzy respondeu surpresa:

- Jura, senhor? Ok. Entrarei em contato com minha supervisora e lhe retornarei o mais breve possível. Um bom dia.

Como já estávamos em 2008 e o valor cobrado era de 2005, imaginei que R$ 40,00 de juros era algo bem aceitável. Menos de 10% de aumento no valor total. Pensei que nunca mais receberia um telefonema da pontual Suzy, mas, no dia seguinte, ela me retornou avisando que o valor foi aceito e solicitando meu e-mail para enviar o acordo, juntamente com o boleto.

- Senhor, este valor de R$ 700,00 deve ser pago até o dia 15 de setembro próximo. Do contrário, o acordo não terá mais validade.

- Ok, Suzana. E, depois de pago, quanto leva para a retirada de meu nome dos serviços de proteção ao crédito – respondi retruncando.

- No máximo 5 dias úteis.

E eu, obviamente, acreditei. No dia marcado, realizei o pagamento do boleto e enviei o comprovante por e-mail para a querida e eficaz Suzana que, por sua vez, respondeu serelepe informando:

Bom dia!

Venho informar que o pagamento já consta no sistema.

Grata pela confirmação do pagamento (via e-mail)

Dúvidas à disposição,
Atenciosamente,

Suzana

Excelentes notícias. Corri para a folhinha do calendário para fazer as contas. Paguei no dia 15, no dia 16 já constava no sistema… 5 dias úteis… dia 23! Sim, claro. Pelas minhas contas, no dia 23 de setembro tudo já estaria resolvido. Dei uma semana de lambuja para o processo de retirada que, segundo a eficiente Suzy, era “simples e descomplicado”. Somente no dia 30 realizei a verificação. E, para minha surpresa – ou não? -, meu nome lá ainda estava.

Primeiramente, pensei que pudesse ser algum problema com o serviço do CCFácil. A atualização da base deles poderia ser semanal ou mensal. Mas informaram que a consulta é diretamente na base da Serasa. Entrei em contato com a prestativa CreditOne. Ninguém conseguia realizar uma transferência para a simpática Suzana e todos com que falei disseram que era estranha a situação, que o nome não deveria mais constar em nenhuma base de dados de proteção ao crédito por conta deste problema.

Na oitava ou nona ligação pediram que entrasse em contato com a Credicard. Liguei para esta renomada empresa que pediu para que eu ligasse para o “Serviço Especial de Atendimento a Cobrança”. Enquanto o polido atendente ditava o número, reconheci aonde ia chegar. Interrompi e perguntei:

- Este número, por um curioso acaso, é da CreditOne?

- Sim, senhor. Eles resolvem este tipo de situação.

- Mas foram eles que solicitaram que eu entrasse em contato com vocês. O pagamento já foi efetuado.

- Esta situação somente com eles. Senhor, gostaria de anotar o número do protocolo de atendimento?

- O atendimento já acabou?

- Algo mais em que possa ajudar?

- Não.

Depois deste infrutífero diálogo e outras tentativas de resolver por telefone, enviei um e-mail a fugaz Suzana:

Suzana, bom dia.

Meu nome ainda consta como devedor no Serasa. Você saberia informar em quanto tempo haverá esta atualização?

Seguem dados da consulta realizada:

QUANTIDADE: 1
PERIODO DE: 02/2005 ATE 02/2005

ULTIMAS OCORRENCIAS (ATE 3):
DATA       NATUREZA     PRACA UF NOME                              VALOR P SUBJ
15/02/2005 CRED CARTAO  SPO   SP CREDICARD            R$          660,00 S N

P    = PRINCIPAL, SUBJ = DIVIDA SUB JUDICE

Muito obrigado.

Isto foi em 29 de outubro de 2008. O pagamento já havia sido realizado há mais de um mês. Um mês! Várias seqüências de 5 dias úteis já haviam acontecido. A solícita Suzana encaminhou o e-mail para sua supervisora operacional, Marcela (nome fictício). Esta nova personagem do nosso drama respondeu ao e-mail no mesmo dia:

Boa Tarde,

O sr. poderia me informar o seu CPF para que eu entre em contato com o Credicard.

No aguardo,
Marcela.

Enfim, respondi no mesmo dia – em menos de 1 hora – informando o número do CPF, apesar de ser um dado que eles já possuíam. Não tive mais respostas por um tempo. Tentava falar com Suzana ou Marcela pelo menos 2 vezes por semana. Sempre sem sucesso. E a CreditOne deve utilizar planilha Excel como sistema de atendimento. Não informavam nenhum número de protocolo. O direcionamento do atendente era pedir que o nome dele fosse anotado juntamente com data e hora. Os e-mails também pararam de ser respondidos.

Como sou cliente do Citibank (espero que não mais por muito tempo), tentei até conversar diretamente com o meu gerente de relacionamento. Foi um dos maiores arrependimentos que eu tive. O sagaz senhor Roberto (nome fictício) teve a coragem de dizer que ia ser difícil ajudar em alguma coisa, já que na época no ocorrido a Credicard não possuía nenhum vínculo com o Citibank. Quer dizer, para cobrar o valor devido, o contrato vem escrito que o cartão é “Credicard Citi”. Para ajudar em alguma coisa, não existe vínculo. Tá certo, Roberto.

Aquilo havia me revoltado o âmago. Estas empresas não exitam em colocar as pessoas nos serviços de proteção ao crédito. Estava passivo demais. Resolvi entrar com uma ação judicial. Não contra a CreditOne, mas contra a Credicard. Ela que escolheu que empresas iriam “resolver” seus “problemas” de cobrança. Reuni todos os e-mails trocados com as funcionárias da CreditOne, juntamente com o comprovante de pagamento e o documento com o acordo entre as partes. Criei a petição inicial e fui até o Juizado Especial Cível, antigo Juizado de Pequenas Causas. Todo o processo foi bem rápido. No dia 5 de novembro, o processo número 2008.001.362853-1 estava pronto. Alguns dias depois e já havia data para audiência: 19 de março de 2009. Próxima quinta-feira.

Em tempo: meu nome saiu dos serviços de proteção ao crédito em fevereiro passado. Mais de 5 meses depois do pagamento efetuado. Penso que talvez possa ter ouvido errado. Mas 5 dias úteis nem rima com 5 meses. Enfim, o que importa é que quinta-feira, o Davi aqui pega o Golias. Espero que Golias não amarele nem tente de artifícios sórdidos para evitar a perda da causa.

E se você acha que acabou, está muito enganado. Ainda há outros problemas enfrentados pelo cidadão comum. Esta “parte 3″ deve ser interpretada como “parte 3 de 50″. Ou algo próximo a isso.

continua…

Cotidiano

A difícil tarefa de ser um cidadão comum – parte 1

12, março, 2009

7 dias. É o tempo que falta para uma batalha no melhor estilo Davi e Golias. A diferença é que o Davi de nossa história é ainda mais mirrado que o original, enquanto Golias, é absurdamente mais forte. Estamos falando da briga de um cidadão comum contra uma das maiores e imponentes instituições financeiras do mundo: o Citibank. Ok, não é mais tão imponente assim. E já está deixando o clube das maiores. Está bem capenga para dizer a verdade. Mas ainda assim, é um Golias para nosso Davi.

A briga acontecerá no próximo dia 19 de março, quinta-feira da próxima semana. O palco será o Cartório do 4º Juizado Especial Cível, no Catete e, como acontecia no Velho Oeste, ao meio-dia. Sim, eu sei. O Velho Oeste nada tinha a ver com o cenário que comecei a montar com Davi e Golias. Mas não sei que horas foi o confronto dos dois e sempre quis usar “Velho Oeste” em algum texto. Continuemos.

Tudo começou em 1999. Recebi um cartão de crédito Mastercard pela Credicard. Isto foi um brinde, ganho por ter feito uma assinatura da revista IstoÉ. Alguns anos depois, em 2004, recebia a revista, mas não tinha mais tempo para sua leitura. Solicitei o cancelamento. E o parto de bode teve início…

As sempre “simpáticas” e “bem-humoradas” atendentes da Editora Três, responsável pela publicação da revista, alegavam que como estávamos no início do ano não podiam realizar o cancelamento. Eu deveria esperar a chegada do mês de outubro, que seria a ocasião correta para avisar que não gostaria mais de receber a revista. Cheguei a receber a desculpa que “nem o sistema aceita que eu faça isso agora, senhor”. Ah, se eu descubro a consultoria que fez esse sistema deles… Enfim, compreensivo que sou, esperei outubro chegar. E ele chegou.

Quando aquele maldito mês era a folhinha atual do calendário, retornei a ligação para solicitar o cancelamento à Editora Três. Obviamente, sem sucesso. Por meia dúzia de vezes, me disseram que a assinatura estava cancelada. Mas continuei recebendo a revista e pagando por ela. Voltei a reclamar. Continuei pagando pela revista mas agora sem recebê-la. Considerei um progresso. Só precisava agora não ter mais que pagar. Parto de paquiderme. Com gravidez de risco.

A Credicard afirmava que não havia recebido nenhuma ordem de cancelamento da Editora Três. Esta, por sua vez, informava que não havia recebido nenhuma solicitação de cancelamento da minha parte. E eu passei a pagar por um produto que não mais chegava em minhas mãos. Lindo. Retrata o funcionamento de muitas coisas daqui do Brasil.

Passei um tempo pagando a fatura sem o valor referente a assinatura da revista. Em paralelo, tentava realizar o cancelamento. Sempre em vão. Foi quando tive uma visionária idéia: cancelar o cartão. Sem cartão, a Editora Três não pode me cobrar nada. Sensacional! Confesso que me senti um gênio enquanto orgasmava com a idéia que tive. Liguei para realizar o cancelamento do cartão… Resumidamente, foi mais ou menos assim:

[Picciani] – Gostaria de cancelar meu cartão.

[Atendente] – Senhor, seu cartão não pode ser cancelado sem a quitação dos valores em aberto.

[Picciani] – Ok. Peço que separe o que for da Editora Três. Pagarei a diferença do total com este valor.

[Atendente] – Senhor, a quitação deve ser total.

[Picciani] – Os gastos com a Editora Três eu não reconheço como meus. Já solicitei o cancelamento do serviço e continuo sendo cobrado. E sem receber.

[Atendente] – Senhor, entendo, mas a quitação deve ser total.

[Picciani] – Se você entendesse, não repetiria a mesma coisa.

[Atendente] – Senhor, para prosseguirmos com o cancelamento, precisamos quitar todos os valores em aberto.

[Picciani] – Caso eu não pague minha fatura nunca mais, vocês vão cancelar meu cartão?

[Atendente] – Senhor, há um período máximo em que a fatura pode ficar em aberto. Os serviços podem ser cortados em caso de falta de pagamento. E, dependendo do período em aberto, o cartão pode ser cancelado.

[Picciani] – Ótimo. Não pagarei. Assim vocês cancelam.

[Atendente] – Senhor, também pode ocorrer a inclusão de seu nome em serviços de proteção ao crédito.

E o imbecil aqui respondeu:

[Picciani] – Ah, é? Inclua! Pode incluir até no meio do seu **! Seu filho da ****! Vai se *****! 

[Atendente] – Senhor, peço que se acalme…

[Picciani] – Vai pedir calma pra **** da sua mãe! Aquela ******! *****!!!

Ok… Isso foi somente uma dramatização. O que na verdade foi dito:

[Picciani] – Tudo bem. Depois que resolver toda essa confusão eu tiro meu nome de lá. Obrigado.

[Atendente] – Algo mais em que possa ajudar, senhor?

[Picciani] – Não, obrigado.

[Atendente] – A Credicard agradece sua ligação. Tenha um bom dia.

[Picciani] – Você também.

“Depois que resolver toda essa confusão eu tiro meu nome de lá”. Onde que eu estava com a cabeça?

continua…

Cotidiano

Collor, seja bem vindo, confiamos em você!

8, março, 2009

O ilustríssimo excelentíssimo gabaritadíssimo queridíssimo senhor doutor senador Fernando Collor de Mello está novamente em evidência no mundo político depois de ter sido eleito presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado

Muitos brasileiros estão olhando isso com certa desconfiança. Alguns com certo desespero. O estardalhaço que a imprensa fez com a nova responsabilidade de Collor ocasionou até retiradas de economias de poupanças. Calma. Não precisa tanto, queridos brasileiros. Não é porque o senador fudeu sacaneou esculhambou boa parte do Brasil, quando foi presidente, que voltará a fazer isso. O foco agora é outro. Estamos falando de gás natural, Ferrovia Norte e Sul, Bacia de São Francisco, Legislação Aduaneira, do famigerado PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, da bem sucedida (hein?) VarigLog, dentre outros assuntos interessantes e bilionários. Outro patamar. Podem depositar as economias de volta (só não aconselho o Citibank…).

Quem estiver passeando por Brasília e quiser conferir o que acontece por lá, a nova quarilha comissão realiza suas reuniões todas as terças-feiras, às 14:00, no plenário número 13 – claro – na ala Alexandre Costa. Sugiro uma ligada antes para a senhora Dulcídia, secretária dessa eficiente equipe formada por 23 senadores (sem esquecer os outros 23 suplentes): (61) 3311-4607. 

Não me encuca Collor ter conseguido esta nova posição. O que mais me causa isso é que ele tenha conseguido se reeleger como senador. O que este senhor conseguir a partir daí não será surpresa. Como diz outro queridíssimo brasileiro, o Arcebispo José Cardoso Sobrinho,  “todos merecem uma segunda chance”. Ou não?

Política